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Estrelinha

Se você for capaz de ouvir
e de entender estrelas,
ficar parado à noite, olhando
para o céu e ainda
conversar com elas,
te conto então o meu segredo
e para mais ninguém:
que o meu coraçãozinho salta
e te quer tanto bem.
Uma estrelinha linda,
lá no céu brilhando
eu queria ser.
Na noite em que fizer escuro,
lá do céu, te juro,
eu pisco pra você.
Queria te dar um abraço,
iluminar seus passos,
te fazer canção.
Não sei se isso é amizade,
se é pura saudade
ou se é solidão.
Eu acho que é mais que amizade,
é amor de verdade,
eu acho que é paixão.



Biografia

Eu nasci na cidade de Formosa, Goiás. Cultivo a arte dos versos e da prosa, preferencialmente em pequenos contos, nos quais trabalho o regionalismo e a temática urbana. Aventuro-me às vezes em temas universais e procuro dar um toque de humor às minhas histórias, sempre despretensiosas. Graduado em Letras pela UnB, orgulho-me de ter sido aluno de nomes como Cassiano Nunes, Aglaêda Facó Ventura, Domingos Carvalho da Silva, Antonio Salles Filho, João Ferreira, entre outros que me ampliaram as perspectivas literárias. Em 1977 publiquei meu primeiro livro de poemas, Cicatrizes da Alma, em São Paulo, onde conheci e frequentei o poeta Menotti Del Picchia, de quem recebi valioso incentivo. Incursiono  também às vezes pelo mundo da música, como compositor, e possuo gravadas em discos algumas dezenas de trabalhos na voz de intérpretes diversos.
Tenho atualmente um livro inédito de contos, prefaciado pelo imortal goiano Bernardo Élis, com pretensão de publicá-lo em breve. Eu já participei, com êxito, como poeta e contista, de concursos literários promovidos por instituições de Brasília, e já prefaciei livros de diversos autores da Região Centro-Oeste.
Há algum tempo sou funcionário público do GDF, como professor de Língua Portuguesa pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal e atendo as escolas da rede, quando convidado, para falar do meu trabalho literário e musical.







Talvez queira saber...

Entrei na escola aos dez anos de idade, mas já tinha sido alfabetizado pelos irmãos mais velhos. Gostava de desenhar e escrevia versos desde criança. Lia Monteiro Lobato, Castro Alves, revistas de super-heróis como Tarzã, Homem-Aranha, Bat-Man e outros, e devorava todos os quadrinhos Disney: Pato Donald, Mickey, Tio Patinhas, Zé Carioca, etc. Escalei árvores e muros, tomei banho de chuva e de rios, amava ouvir os causos dos mais velhos e aprendi o sabor da poesia em suas falas. Ganhei concursos de redação na escola e lia compulsivamente, de bulas de remédio à Bíblia Sagrada. Compus minha primeira música aos 16 anos e aos 17 publiquei um livro. Tive uma bicicleta e fui feliz como todo menino, embora lutasse desesperadamente muitas vezes com uma asma violenta. Acho que já sabia também, desde menino, que um dia seria professor.



FORMIGUÍSSIMA NOIVA

Veja, eu fui ontem à igreja
pra rezar mais uma vez.
Fez-se verso imediato
o fato que lá se deu:
aconteceu que chegando,
sentando num banco enorme,
o povo, todo uniforme,
em pensamento cristão;
naquela igreja tão grande
onde o eco se expande
do vigário pelo espaço,
qual laço religioso,
francamente sinto:
do meu terço, só um quinto
consegui rezar.
Parar, eu fui preciso:
o meu juízo diferente
se voltou à passarela da igreja,
pois, veja,
o que eu vi, à luz da vela,
sobre o tapete estendido,
comprido, no chão do templo,
em tempo de assim perder-se
no meio dos mil fiéis:
uma formiga! Tão linda!
Caminhando para o altar...
Tentando chegar mais perto,
decerto pra confissão?
Não! Sem roupa e sem tamancos,
toda vestida de branco
pela poeira da rua, da lua
e do céu cinzento.
Sem pinturas, sem frescuras
e sem disfarce na face;
não ia confessar-se:
era o seu casamento!
Mas quem é o noivo dela,
que ninguém o percebeu?
Alguém que olha pra ela
e vê a noiva mais bela:
sou eu!
Mas não sou formiga macho,
sou um facho, gente, humano...
mas gosto tanto de doce
que é como se eu fosse
um formigão de verdade,
contente, perto do padre,
e o meu subconsciente
toca música pra gente
numa orquestra imaginária.
É a marcha nupcial,
mas o povo em geral
não percebe
o nosso enlace matrimonial.
Formiga, minha formiga!
Me diga agora, depressa,
confesse neste momento
santo, bento,
por que quis casar comigo?
Ah! Nem pode responder-me.
É até melhor que cale-se:
o padre já vem com o cálice
comungar a multidão.
E a multidão não pára
e nem percebe a formiga
na luta sem proporção...
que desgraça, o povo passa
e a noiva é esmagada,
sem pena assassinada
pelos pés dos pecadores
que cantam cânticos
catequéticos, patéticos,
proféticos, profanos.
Trouxeram-me o desengano.
E o branco do firmamento
virou sangue, sofrimento,
virou angústia e tristeza,
desgosto, mágoa e frieza
rolando pelo meu rosto
uma lágrima de dor.
Amor que fica no peito,
sem leito para dormir,
sem motivos pra sorrir,
com razão para chorar
e ter sempre que lembrar
essa história que afeta
o sorriso do universo
que vive em disritmia.
Mas na lembrança, a saudade
e a saudade anuncia
nas leis que o tempo decreta:
perdeu a noiva o poeta,
mas se casou com o seu verso
e viveu na poesia.
Antonio Victor